Pétalas Azuis Porn

sábado, 16 de janeiro de 2016

09: Sacrifícios da carne

Para pagar pelo material de Hayato e os pais Kazuo teve de vender a tv e cogitava fazer o mesmo com o rádio. As notícias importantes poderia saber no trabalho e na banca de jornais de seu amigo. Venderia o apartamento se não morasse de aluguel, mas não deixaria que nada faltasse ao seu Hayato-kun, agora órfão, e aparentemente seu dependente. Portanto passara a cortar meia hora de seu almoço após as aulas para chegar o trabalho, e sair deste meia hora mais cedo, tomando o trem de mais cedo e podendo estudar. Era o único em quem Hayato poderia contar.
No trabalho não importava o quanto bocejasse, não cessava o ritmo de atividades, antes o contrário, redobrava esforços e tinha cada vez mais tarefas.
- Kazuo-san está se esforçando está semana, não é mesmo? - Naru.
- Hai! Devo esforçar-me pela empresa. Quem sabe uma promoção a vista. - Kazuo.
- Ah… quanto interesse… Antes de ser promovido deve deixar de ser um estudante.
- Hai! Apenas mais dois anos e poderei me formar.
- Ni? Acabaria em um ano e meio!
- Ah, higeki… Não pude fazer a última bateria de provas…
- Uma tragédia mesmo, ah… Mas hoje é final de semana de pagamento… Vamos fazer um happy hour!
- Bem gostaria, mas tenho mais contas do que gostaria, para pagar.
- Ah, não se importe com isso. Naru e eu pagamos as suas bebidas. Por favor, venha conosco. - Hosokawa.
- Se é colocado deste modo, então, arigato. - Kazuo
- Hai! - Naru.
Não era sempre que saia com o pessoal do trabalho e notava o desagrado daqueles que sabiam de sua escolha sexual. Mas no final das contas precisava mesmo de uma bebida e Naru e Hosokawa insistiam tanto que não tivera como recusar.
Saíram tão breve o expediente terminou, e a reunião fora a céu aberto, na cidade vizinha. Uma feira musical. As bancas de comida e bebidas foram enfeitadas com fitas e bandeira de todas as cores, e o correio secreto circulava constantemente para as entregas de cravos e rosas rosadas, amarelas e vermelhas - sem remetentes.
- O que quer beber? - Naru.
- Hai. Pode ser cerveja. - Kazuo.
- E vocês, querem algo?
- Hai! Pode ser uma água, ou um suco. - Hosokawa.
- Ah, qual é… Hoje começa o fim de semana. Mais duas cervejas!
Ela entregou as garrafas aos dois relutantes e seguiram a música até o centro da praça, onde poderiam dançar. Naru e Kazuo tomaram a iniciativa, e logo os outros se enturmaram com duas garotas para também dançarem a música a cada momento mais agitada, e a cada gole a cerveja se tornava mais reconfortante.
Hosokawa virou-se para uma murada baixa e vomitou, parte em cima do homem que irritou-se e o empurrou derrubando-o aos pés de Daichi e Naru. Kazuo de imediato empurrou-o de volta em defesa do amigo.
- Gomend
- Meu amigo não fez por mal, ele está bêbado, e lamenta muito o ocorrido.
A voz nada pacífica afastou o que queria brigar, achando que apanharia antes que pudesse defender sua honra.
- Daichi, ajude-me a coloca-lo de pé. - Naru.
- Ele tá muito mal, melhor o deixarmos em algum lugar. Você sabe onde ele mora? - Daichi.

Kazuo não se recordou do acontecido, e tampouco tentara uma vez que a dor de cabeça o derrotava. Não encontrou a carteira no bolso, e não se importava, não tinha dinheiro algum. Demorou a chegar em casa, mas chegou, e ao ver sua cama ocupada por Naru e Hosokawa, e o sofá por Daichi deixou-se em qualquer canto da sala para descansar.
- Kazuo-san, você demorou. - Naru.
- Fala baixo, Naru, por favor… - Kazuo.
- Ah, vocês que não sabem beber e é minha culpa? Bem, vou cuidar de Hosokawa, ele está muito mal. Não nasceu pra bebida Que bom que estou aqui pra cuidar dele.
- Que bom… - Daichi.
Ela partiu, mas estar ali sozinho com Kazuo incomodava Daichi terrivelmente, já que era um machista hipócrita incorrigível.
- Kazuo-san. - Daichi.
- Hai. - Kazuo.
- Como consegue… Como pode conseguir… Ser tão próximo a rapazes?
- Eu apenas sou, Daichi… Não é algo que possa controlar ou escolher… Não me confortaria com garotas.
- Mas… É tão anti natural…
- É, sei disso. Acho que nasci pra ser contra a natureza, no final das contas…
- Então, não acha que seria mais feliz com uma quente mulher entre os braços?
- Sei que seria muito infeliz.


Quando acordaram novamente por volta de uma da tarde e Naru preparava algo leve que pudessem comer.
- O que esta preparando? - Daichi.
- Não havia muita coisa, por isso vamos comer caldo de cebolas temperado com alho. - Naru.
- Que seja, estou mesmo faminto. - Kazuo.
- Cadê a sua tv? - Daichi.
- Eu a vendi.
- Vendeu a tv?
- Eu precisava de uma grana.
- O que está acontecendo, Kazuo-san? Reprovou na faculdade e vende as coisas de casa…
- Está usando drogas? - Daichi.
- Não! Queria eu ter o dinheiro que se gasta com drogas…
- Então, o que é? - Naru.
- Kazuo baixou a cabeça, pedindo desculpas por algum incomodo.
- Hai. Preciso guardar dinheiro, por isso busco poupar, e terminar a faculdade para um para um melhor cargo. Gommenasai.
- Eu não entendi, mas está bem. - Hosokawa.
- Hai. Eu vou tentar ajudá-lo com os estudos. Pode contar comigo com a faculdade…
- Fala sério?
- Hai. Você não vai mais reprovar até o final dos cursos.
- Arigato, Naru-sensei.


_________________
Higeki
Tragédia.

domingo, 10 de janeiro de 2016

08: Ainda somos amigos?

O dia no colégio terminou mais solitário do que nunca. Koji lhe evitava, e ele evitava os amigos de ambos. Voltou para casa caminhando, e chegou com as pernas doídas. Era geralmente Koji quem o acompanhava, na ida e no retorno, o levando em pé na roda traseira da bicicleta, conversando sobre tudo.
A luz da sala estava acesa. Seus pais certamente estavam em casa. Poderia esperar que estivessem ansiosos por uma conversa, ou seu pai lhe aguardava com o cinto em mãos? O que Kazuo ouvira rispidamente? Gostaria de falar com Kazuo, mas o número de sua casa ficara gravado no celular dele quando ligou para a haha, apenas. E não tinha seu número.
- Baka. - Hayato.
Não havia outro modo. Pegou a chave escondida no terceiro vaso das violetas de sua mãe, girou a chave e entrou, trancou a porta novamente e descalçou-se.
- Tadaima! - anunciou.
A mãe passou de um extremo da cozinha ao outro, ansiosa para ver o filho com quem estava desapontada. Hayato notou que ela - nunca antes distante do filho único por um dia - olhou no máximo para seus pés de meias, sem coragem de encarar alguém como ele. O pai não tivera qualquer reação parecida com a da mãe, e tampouco diferente. Se não o ouvira não o olhava, e se não o olhava não poderia sentir algo. Mas Hayato sabia ser o contrário.
Preferiu não insistir e foi direto para o quarto certo de ter sido notado por ambos. Estavam tão irritados a ponto de ignorar sua existência? Pensavam que atitude tomar a respeito, ou ignorá-lo era a atitude que tomavam para corrigir? Sua haha não o olhava! Quem era Oono Hayato agora? Alguém sem amigos, ou familiares? Qual lugar pertencia à Oono Hayato… O que faria? Ainda poderia usar o nome de seus avós e ascendentes?
Teve vontade de correr para sempre, sem saber para onde. Apenas correr, para não estar ali. Começou a estudar o material que tinha em casa para distrair-se, mas não estava concentrado como de costume. A haha não lhe trouxera um suco, como habitualmente, e menos ainda cogitou lhe chamar para o jantar. Estranhando o ritmo da casa desceu e notou que já se alimentavam. Sentou-se.
- Itadakimasu, haha, chichi! - Hayato.
O pai levantou-se contendo-se para não lançar a mesa ao teto, notou apreensivo. Viu-o subir e bater a porta, para não mais sair até a chegada do dia seguinte. Baixou os olhos, precisava falar com alguém.
- Summimasen, haha. Não quis ser um desapontamento para haha-san, ou chichi-san.
- Hayato é grande e inteligente, entende as coisas. Meninos se tornam rapazes e as meninas, mulheres. Um deve juntar-se e não o contrário. Chichi está decepcionado com seu filho Hayato, e haha está magoada com Hayato. Haha sente… como se houvesse dado à luz a um menino quebrado, um menino que não sabe que é menino. Sente que deveria ter chamado Hayato-kun de Hayako, e. colocado vestidos para encantar os rapazes…
Ela o olhava de olhos úmidos do choro dos últimos dias. Sem real intenção de ser cruel, Hayato sentia cada palavra lhe perfurar, mesmo quando ela tentava sorrir - desastrosamente. Então desviava o olhar para uma parede qualquer.
- Summimasen, haha… Acredite, Hayato não quis que tudo isso acontecesse. Hayato queria falar antes em casa…
- Chichi está decepcionado… Insisti para que seu filho estudasse invés de esforçar-se nos esportes. Eu deveria ter deixado-o criar seu filho. Acredito que seu pai não tem mais filhos. O homem com quem Hayato ficou…
- Haha, não fiquei com Kazuo-chan. Ele me abrigou quando me embriaguei e cai na rua. Dormi no sofá, eu juro, e ele em seu quarto! Não tocou-me, juro!
Ela levantou-se com a mão erguida. Cansada de desculpas, cansada da tensão de três dias.
- Não engana-me, Hayato-kun. Vejo o mundo há mais tempo do que você. Se deixou ser seduzido por este homem. Levou meu menino, e deixou um Hayato-kohai no lugar.
Hayato afastou-se para o lado contrário daquela mulher que o teve nos braços desde sempre. Correu escada acima, e no banheiro do quarto vomitou o jantar. Não era o que queria. Era uma pessoa terrível, percebeu, porque não estimou o sentimento daqueles ao seu redor. Agora sua oka-san derramava as lágrimas que ele ali colocou.
- Kazuo-chan, o que devo fazer?
No dia seguinte Hayato não fora acordado pela manhã, como hábito de seu pai, ou convocado ao café pela mãe. Sem atrasos optou por não tomar o café da manhã. O tempo frio não lhe intimidou mesmo com o casaco aberto, a caminhada seria longa.
A bola de futebol quase o acertou, e o garoto que chutou-a desculpou-se ao passar correndo. Como poderiam estar tão alegres quando seu sekai desmoronava?
- Hai! - respondeu ao garoto.
A aula foi tediosa e odiada. O professor nunca lhe gostara - poderia apostar - e a matéria nunca lhe agradara. O segundo tempo foi educação física e pode jogar um pouco, para se distrair. Mas seus passes de basquete tão errados o tiraram do time, adversário de Koji.
- Hayato-kun, qual o problema hoje? Costuma jogar tão bem…
- Hai! Nada preocupante, professora. Estou apenas um pouco distraído hoje. - Hayato.
- Espero que esteja melhor em nossa próxima aula. Se precisar de alguém pra conversar, basta que me busque.
- Hai.
A professora afastou-se com o apito aos lábios, e no próximo sopro Hayato notou a forte dor de cabeça que tinha. Levantou-se para o vestiário. Certamente uma chuveirada ajudaria a relaxar, e naquele momento era o único garoto ali, caso os outros meninos o estranhassem.
Deixou-se ficar sob a água quente por um bom tempo, e tentava lembrar o exato momento em que vira Kazuo pela primeira vez como um modo de encontrá-lo. Qual era a cidade que fazia feira de alimentos no domingo? Talvez fosse capaz de encontrar no site estadual.
Terminada a aula retornou à sala para pegar o dinheiro do lanche, já que não havia o que levar pela manhã. Era o pouco que Kazuo lhe deixara e encarou a fila. Demorou um pouco, mas pegou tudo o que queria, lembrando-se de Kazuo ao pegar uma fatia de melão. Depois de pagar, entretanto, percebeu não ter lugar para si no refeitório. Seus amigos estavam de um lado e gostaria de ir para o oposto, mas todas as mesas estavam ocupadas, como sempre. Caminhou devagar, esperando que alguém finalmente terminasse e não ficasse de papo com o próprio grupo.
- Hayato-chan! Hayato-chan, koko ni! - Miyoshi.
- Hai, Miyoshi-chan.
A amiga parou de acenar apenas quando ele finalmente se aproximou. Guardava o lugar de frente para Koji, o mesmo de sempre.
- Ohayo. - Hayato.
- Tsuitachi. - Koji.
- Uwa. Que frios… O que aconteceu com vocês? São amigos para tudo!
- Nanimonai!
Koji levantou-se e se retirou rispidamente, deixando Hayato com a responsabilidade de solucionar juntos com os colegas, tentou sorrir.
- Nanimonai! Koji-san e Hayato discutiram, mas ainda são amigos. - Hayato.
- Koji-san?
- Koji-chan!
- Por que discutiram? Koji pareceu bem irritado com Hayato-chan…
- Hai.
Hayato prosseguiu com seu almoço silencioso, mesmo com os amigos que ainda atualizavam os acontecimentos do final de semana. Miyoshi ainda estava indecisa sobre qual faculdade cursar, o que transformara o almoço em família de domingo em uma grande confusão uma vez que sua mãe queria a melhor e o seu pai a mais próxima.
- Hayato. Hayato-chan, o sinal já tocou. Vamos logo, ou teremos falta. - Miyoshi.
- Hai!
- Hayato-chan, sente-se bem? Está desligado hoje.
- Minha cabeça dói um pouco. Vou à enfermaria e para casa.
- Hayato-chan…
Ele pegou o outro corredor para chegar à sala de enfermagem da escola, e segurou-se no armário repentinamente, a cabeça doía com mais força agora. Sentiu seu braço ser seguro com firmeza, com a vista momentaneamente embaçada.
- Koji-san! - Hayato.
- Miyoshi-chan disse que não sentia-se bem.- Koji.
- Estou bem, apenas dores de cabeça. Apenas não me alimentei direito esses dias.
Koji soltou-o ao perceber que poderia firmar-se de pé sem problema algum.
- O que falou era sério?
- Hai.
Hayato não achou boa ideia encarar seu amigo e baixou os olhos.
- Hayato-kohai, baka! - Koji.
- Hai!
- Vou ligar para sua casa, para seus pais virem lhe buscar.
- De wanai! Eles… não falam comigo desde que voltei para casa. Então… eles não virão me buscar, possivelmente, gomen
- Hai!
Koji deixou-o, como fizeram os pais e Kazuo, e Hayato prosseguiu até a porta onde foi prontamente atendido. Lhe deram um comprimido e vitamina c, já que chegava a época fria. Por fim foi liberado após passar na sala apenas pra pegar o material e guardá-lo no armário, não que fosse muito. Contornou a primeira esquina de cabeça baixa, agora era o estômago que não se mostrava bem.
- Oi! Hayato-chan! - Koji.
De bicicleta o amigo o seguia do portão da escola, parou um momento ao lado do colega sem olhá-lo, tinha a pasta com o material.
- Kuru, eu o levo para casa. - Koji.
Seguiram calados até parte do trajeto, quando Koji deixou de fazer o mesmo caminho, que contornava a quadra de Hayato, e deixou-o seguir o restante sozinho, indo para a sua casa ainda inventando uma desculpa na cabeça para chegar tão cedo. Se dissesse que estivera com Hayato, como reagiriam ser pais?
Aproximando-se de casa viu a caixa na sua calçada, começava a chover. O correio passara há horas, e ao ler a etiqueta entendeu porque a encomenda ainda estava ali. Para Oono Hayato, de Iwasaki Kazuo. Levou a caixa para dentro, não era pesada, ou muito grande. Estava curioso. Fez como se não tivesse chegado, sem se anunciar, de qualquer modo não seria recebido. Levou a caixa para cima, e ao abri-la encontrou também uma carta com a letra do remetente.

Kon’nichiwa, Oona Hayato-kun!Envio cadernos e materiais para que termine o período escolar . Gomenasai não poder comprar os livros, summimassen não enviar uma bolsa para o material.Aproveite os estudos e tenha boas notas. Iwasaki Kazuo acredita na inteligencia de Oono Hayato-kun.Cuide-se bem.
Iwasaki Kazuo.

O que Hayato achou mais curioso fora a assinatura no pé da folha, com duas peras desenhadas com lápis verde claro, quando sorriu escutou as batidas na porta e viu a mãe entrar, com as mãos nervosas e fitando apenas o chão. Depois de tomar algum folego finalmente falou, tentando um sorriso.
- Shokuji está servido, Hayato-kun. Chichi não comerá conosco hoje, está indisposto. - Haha.
- Hai, haha. Já estarei a mesa. - Hayato.
- Hai.
Quando ela saiu deixou a porta como havia encontrado, e Hayato pegou a velha bolsa de dois anos atrás para guardar o material. Estava feliz, mas sabia que teria outra refeição solitária e silenciosa, mesmo que estivesse acompanhado.



_____________
Haha
Mãe, em modo formal.

Tadaima
'Estou em casa', dito ao chegar.

Chichi
Pai, em modo formal.

Oka
Mãe, em modo informal.

Sekai
Mundo.

Koko ni
Aqui!

Ohayo
Bom dia.

Tsuitachi
Dia.

Uwa
Uau.

Nanimonai
Nada. Coisa alguma.

De wanai
Não!

Kuru
Venha.

Shokuji
Refeição.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

07: De joelhos

Hayato olhou-o com expectativa e gratidão, e o sorriso de seus olhos prendeu Kazuo à outras dúvidas. Não poderia dizer que tornariam a se encontrar, por mais que quisesse fazer parte parte de sua vida…
Como os pais reagiriam ao retorno do filho? Seus pais censurariam ter passado o final de semana com um homem desconhecido? Que atitudes tomariam quanto ao colégio? Levariam Hayato para longe ou simplesmente seria negligenciado como criança e individuo?
- Oono Hayato estará de kimono branco diante do altar! - Koji.
As palavras ditas pelo rapaz pouco mais alto do que Hayato surpreenderam-nos da bicicleta que passou por eles e parou. Kazuo notou o companheiro intimidado e constrangido.
- Quem é este, Hayato-kun? - Kazuo.
- Esse é o Koji-chan… Koji. - Hayato.
- Ah! Rikai.
- Quem é este, Hayato-kohai? É koibito de Hayato? Então realmente é estranho! - Koji
Kazuo deu um passo à frente, mostrando sua presença à ambos, para que Hayato não se sentisse só.
- Ei, masukaji! Como se alguma garota se interessasse por esse projeto de minhoca que leva entre as pernas!
Koji ficou vermelho de raiva quando diversos alunos escutaram o dito, e que aquele desconhecido defendia seu amigo de infância. Desapareceu rapidamente com sua bicicleta, do modo que Hayato sabia que ficaria incomodado por dias. Poderia até dizer que não seria importunado por Koji tão breve, ou pelos colegas num futuro próximo, já que no final das contas muitos também haviam escutado sobre si. Sentiu sobre os ombros um calor suave, e a jaqueta de Kazuo que lhe cabia quase como uma capa.
- Estava arrepiado agora. Gomenasai, Hayato-chan, por fazê-lo passar frio nessa manhã. Agora vá estudar. Faça seu melhor. - Kazuo.
De cabeça baixa o rapaz seguiu juntamente com os estudantes e Kazuo acendeu um cigarro ao seguir o caminho. Estava realmente frio, e tinha prova, assim como também prometera ir à casa de Oono Hayato.
Mas reprovaria, tinha certeza, se faltasse. Teria futuro com Hayato ou com a vida acadêmica? Seriam os pai como os seus, uma versão adulta de Koji? Valeria à pena ir à prova, tão distante, e retornar à casa de Hayato, e então finalmente ir trabalhar e à sua casa? Quando o pai de Hayato iria ao trabalho, tão cedo? Quando retornaria? Se fosse à noite conseguiria pegar ao menos o último metrô para casa?
Procurou o endereço e encontrou a casa, sem dificuldades, quando o senhor Oono saía de terno e pasta na mão.
- Oono-senpai. - Kazuo.
- Hai.
- Sou Iwasaki Kazuo. Oono Hayato estava comigo quando saiu de casa. Hajimemashite, Oono-senpai.
O rosto do senhor Oona rapidamente tornou-se rubro ao notar na presença de quem se encontrava, e sua voz demonstrou toda a irritação rispidamente.
- Como ousa seduzir meu filho, uma criança, e vir à minha casa, yarô! A família Oona não tem nada com você, e não é estranha. Portanto desapareça.
- Vim para falar de Oono Hayato, senpai. Conheci-o apenas sexta-feira, quando vandalizava meu edifício, alcoolizado e confuso. Cuidei-o e não pude deixa-lo por conta de si. - Kazuo.
- Quer um reconhecimento então, por tê-lo cuidado. Pois aqui está!
Kazuo sentiu-se profundamente ofendido por ter dinheiro jogado aos pés por algo que não fizera como obrigação. Mais irritado ainda por vê-lo ofender quem estava ausente, e que tinha apreço, ao tratar Hayato por objeto.
- Não ouviu-me? Vá embora, agora! - Oono.
Kazuo caiu de joelhos na calçada, descendo o rosto à calçada para falar ao homem estúpido, subjugar a si por Hayato.
- Senpai, tanomu, para o bem de Hayato-kun. Deixei-o na escola hoje. Ele está ansioso por retornar para casa.
- Hai, hai. Para o bem de meu filho, você o tornou um hen’na, um estranho!
- Shite kudasai! Imploro que possamos conversar em privacidade. Não desejo expor a família de Hayato-kun!
- Otto-san, shite kudasai, vamos ouvi-lo. Podemos ter interpretado mal o musuko Hayato-kun.
Com a intervenção da esposa e mãe puderam entrar para a conversa, mas Kazuo não passara de dois passos no interior da casa, e prostrou-se novamente de joelhos no chão.
- Hayato-kun se encontra em dificuldades, e confuso. Imploro que sejam compreensivos, e o aceitem. Hayato-kun é uma boa criança, e o que faz não é para envergolhá-los. - Kazuo.
- Você não compreende? Um rapaz gostar de outros não é correto! É inaceitável! - sr. Oono.
- Hayato-kun sempre foi um bom rapaz, e é estudioso. E pensar que tínhamos tanta expectativa quanto a ele… - sra Oono.
- Vocês são os pais de Hayato-kun! Devem prezar por sua boa criação, e apoia-lo naquilo que decide! É obrigação os pais guiar o filho! - Kazuo.
- Não venha dizer-me as obrigações de pai! A Hayato nunca faltou nada, e investimos em sua educação e em seu crescimento… A ingratidão de Hayato-kun… não trará mais desgraça e vergonha para essa família!
Kazuo olhou o pai e a mãe. O pai não ousava olha-lo ajoelhado diante de si, e a mãe passara chorar como parecia fazer há dias. Se era assim que se comportavam na ausência de seu filho e de um estranho que por ele falava, o que seria feito de Hayato quando estivesse novamente em casa? Desprezado a toda força por seus pais, ou… o que Hayato-kun faria quando visse assim seus pais? Sairia e conseguiria bebidas novamente, ou provaria outras drogas?
- Oono-senpai, summimasen. Gostaria de ter Hayato-kun comigo, como filho. - Kazuo-chan.
- Como se atreve a dizer isso, de Hayato-kun, na presença de sua mãe, e do pai! Hen’na!
- Está errado, Oono-senpai! Diz que Hayato-kun trás desgraça e vergonha, que é ingrato de ter investido nele! Não deve portanto pagar por mais desgosto que possa ter. Hayato-kun pode ser livre para viver a vida que julgar melhor! Diga o preço! Diga o preço para que Hayato-kun possa viver em sua casa, para que ainda seja desta família, até atingir a maioridade!
- Você quer… Quer comprar nosso filho? - sra. Oono.
- Hai. Este é um modo de se dizer!
- Deteike! Retire-se desta casa imediatamente. - sr. Oono.
- Diga o preço, Oono-senpai! Aquilo que Hayato-kun possa gastar, eu pagarei!
- Deteike!
Kazuo levantou-se, e curvou o corpo em cumprimento de despedida.
- Eu, Iwasaki Kazuo, me comprometo. Enviarei mensalmente um valor para que nada falte a Hayato-kun, como seu irmão mais velho. Quando ele não depender mais dos responsáveis, eu, Iwasaki Kazuo, virei buscá-lo para que viva comigo. Deste modo Hayato-kun não deixara estará em débito ou trará vergonha à essa família!
Levantou o corpo em seguida, retirando-se e deixando aberta a porta após sua passagem. Pensava por que os pais preferiam o orgulho ao contrário da alegria dos filhos, e era algo que não compreendia e que tentava não julgar, não tinha filhos. Acendeu outro cigarro. Era próximo ao meio-dia e o dia aquecia um pouco mais. Quando chegou à faculdade era horário de saída, e preferiu não entrar para implorar uma nova prova. Estava cansado de implorar. Seguiu para casa. Almoçou só, e partiu para o trabalho invés de assistir o jogo na tv. Encerrou cedo, e seguiu para casa. No sofá de dois lugares ainda havia uma coberta, e algumas bananas e pêras na pia. Deitou-se e dormiu. O dia fora mais exaustivo do que toda uma semana de trabalho e faculdade.


__________________
Rikai
Compreendi. Entendi.

Koibito
Amante.

Masukaji
Punheteiro.

Hajimemashite
Prazer em conhece-lo.

Tonamu
Imploro.

Hen'na
Pervertido.

Shite kudasai
Por favor.

Musuko
Filho.

Deteike
Saia, verbo.



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

06: Pétalas de tomate

Na cozinha mostrara a Hayato como cortar alhos, e tirar a casca do tomate. Mas foi surpreendido quando o garoto fez de uma das cascas uma flor e deu-lhe para provar. A casca, ainda salpicada com a água, acabado de ser limpo, em contraste com os dedos tão pálidos aproximaram-se de seu rosto. O rosto de Hayato mostrava alguma expectativa de que aceitasse dar-lhe de comer, e mil pensamento passaram por Kazuo. Entendia que o menino estava confuso ainda, o que justificava suas ações. Mas não era um menino, não estava confuso, e todas as suas ações não seriam justificadas ou…
Ah… que se dane este inferno… - Kazuo.
Abocanhou a flor e as primeiras falanges dos dedos de Hayato, com sabor de tomate e alho, tão frios da água e do suco da fruta. Lisos, sem calos ou cicatrizes. Kazuo deixou-lhe tocar sua boca, sua língua. Será que já tocara a boca de alguém, de alguma garota talvez? Ou será que não imaginava, e a sua era a primeira pessoa que ele gostaria de tocar? Será que tocava a própria, quando ia dormir, imaginando como seriam outras, molhadas e aquecidas? Imaginava agora que seus lábios eram os de Koji?
A ideia alterou Kazuo totalmente, derrubando o sentimento - que inesperadamente nascia - ao chão.
- Baka. O que está fazendo? - Kazuo.
- Nunca fiz uma flor de tomate tão bonita assim no colégio. Minhas aulas de culinária são sempre ruins. Mas cozinhar aqui é… diferente da escola. É a primeira flor aceitável que fiz, quis dá-la a você, por me ajudar, já que não posso agradecer de outro modo, no momento. - Hayato.
- Baka badi. Não precisa me agradecer por nada. E a partir de agora terá ótimas notas em culinária.
Voltaram, aos poucos, ao momento anterior em que cozinhavam em parceria, aproveitando para deixar tudo pronto para o preparo do jantar. Serviram à mesa e sentaram-se um diante do outro, diferente do dia anterior e ao que Kazuo preferiu. Não saberia como se conter caso aproximasse-se mais de Hayato.
- Itadakimasu¹. - Kazuo.
- O-oi, porque agradece hoje? - Hayato.
Kazuo ergueu novamente o queixo, como quem orgulha-se de dizer algo importante.
- Agradeço hoje pela ajuda em cozinhar, e ter com quem comer.
Hayato, tímido, coçou atrás da orelha com a risada sem graça, trazendo recordações de quando era Kazuo que agia de mesmo modo.
Comeram conversando sobre filmes e livros que preferiam. Descobriram seus gostos musicais, e comidas que mais gostavam, e em seguida assistiram a um jogo de futebol que não eram seus preferidos. Kazuo bebia pouco, Hayato tinha suas frutas, e falaram mais dos seus times favoritos do que assistiram o que era transmitido.
O dono da casa decidiu que deveriam dormir mais cedo, antes que sua cabeça saísse do controle embora a desculpa tenha sido de que sairiam cedo pois a escola de Hayato era distante. O menino não o questionara, e tomou seu lugar no sofá, após comerem a sopa de inhame, que adorara. Com a comida tão quente na noite que começava a esfriar, adormeceu logo ainda que o sofá não fosse tão confortável ao seu tamanho.

Kazuo quase atrasou-se, e chamou Hayato antes mesmo de vestir-se. Comeram apressadamente e precisaram correr para alcançar o metrô que já saía da estação. Hayato sorriu ao conseguirem entrar, uma vez que poucas vezes andara de metrô com o pai, sempre no rigoroso horário, e este estava sempre vazio, diferente deste horário tão cedo. Não havia mais local para sentar-se e segurou-se à um poste.
Para não ser importunado Kazuo colocou-se atrás dele, como costumam fazer os casais, ou os pais com os filhos menores. Mas não era tão novo para ser confundido com o filho de Kazuo, e percebeu os olhares desaprovadores sobre eles. O menino olhou-se no reflexo do vidro, e acima de sua cabeça a do homem que o abrigara, seriamente olhando para o túnel, vez ou outra com os olhos movendo-se para observar as pessoas próximas a eles. Quem era este Hayato, e o que fazia este Hayato? Por que Kazuo mantinha esta postura sobre si? Poderiam ser primos, como Kazuo se referira a ele quando saíram às compras, mas…
- Kazuo-chan. - Hayato.
- Hai. - Kazuo.
- Qual o nome completo de Kazuo-chan?
- Iwasaki. Iwasaki Kazuo.
- Hai, Iwasaki Kazuo-chan.
- Hai, Oono Hayato-chan.
Kazuo desviou o olhar pela primeira vez para Hayato refletido no espelho, este ao perceber olhou os sapatos imediatamente. O que estariam fazendo ali, ele e esta criança? Desde antes não percebera Hayato querer saber um pouco mais de si, embora não importasse que soubesse dele, inocentemente. Por que agora buscava por seu nome? Por que o tratava como um igual? Seria apenas por gostar também de rapazes, ou seria outro o propósito. Bem, a estima de Hayato certamente era grande, uma vez que tentara chamar-lhe de senpai² e não permitira.
Então chan² seria o apropriado, e não gostaria de chamar-lhe também de kun², e tão pouco kohai, ofendendo-o indevidamente. Sentiu-se com raiva inesperadamente. Quem era Hiroíto para lhe chamar de Kazuo-kohai, como se fosse lixo, ou escravo, ou sua propriedade…Por Hiroíto não tinha mais Hiroshi, não tinha mais seu Hiroshi.
Ao descer do trem tomou o pulso de Hayato um pouco bruscamente, e seus passos foram mais apressados do que pudessem ser acompanhados.
- Itai³, itai, itai. Ka-chan. - Hayato.
Ao chegarem ao topo das escadas, na saída do metrô, Kazuo soltou o braço de Hayato.
- Summimassen, Hayato-chan. - Kazuo.
- Hai. Estamos atrasados? Meu colégio é por aquela rua. - Hayato.
- Saiteki. Vamos, precisa estar na escola para a primeira aula.
- Kazuo-chan fará uma boa pontuação no teste de hoje.
- Farei o meu melhor, yakusoku!
- Quando Hayato verá Kazuo-chan novamente?
- Eu não sei… Hayato-chan gostaria da amizade de Kazuo?
- Hai! Foi mais divertido este final de semana do que qualquer outro dia que eu possa me lembrar. Não me deixam fazer compras, e na cozinha sou desastroso…
- Hum… Então venho vê-lo aos sábados, e poderíamos fazer compras e cozinhar, e também jogar e ver alguns filmes.
- Honto?

________________________________________
Itadakimasu¹
Obrigado pela comida.

Senpai, chan, kun²
Tratamento à pessoas mais velhas/experientes, amigo, e mais novos.

Summimassen
Desculpe.

Saiteki
Ótimo.

Yakusoku
Prometo.

Honto
Verdade.