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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

01: Pequeno bêbado e o cache-pot destruído

Chegava em casa cansado. Trabalhava demais para cumprir os prazos e estava satisfeito em ter conseguido, mas não pela dor de cabeça conquistada. Decidiu que retornaria de metrô, embora mais desgastante e demorado, estaria vazio aquela hora tarde da noite. Felizmente era sexta-feira e poderia dar atenção aos estudos, e ter um pseudo descanso, como costumava dizer.
Foi quando ouviu gritos na rua deserta. Apenas gritos e urros, que não significavam algo como ameaça ou pedido de ajuda. Um dos cache-pot¹ da portaria estava no chão, e quem o derrubara era impossível deixar de dizer ser uma criança apenas. Aproximou-se com uma corrida para desgastar sua irritação.
- Oi! Que merda você tá fazendo?
- Dá o fora. Não é da sua conta!
- Ah, não é. Eu moro aqui, seu bêbado! Quem é que te deu bebida, hein?
- Vá se ferrar!
- Você terá uma longa noite e um final de semana ainda mais longo com a polícia e os seus pais.
Com o celular começou a discar à polícia. Quando o garoto inclinou-se para vomitar virou-se para não ver.
- Seus pais e a polícia de fato vão gostar disso pro final de semana.
- Como se eles se importassem…
O rapaz caiu os dois degraus após se desequilibrar, com a cabeça em um caco do cache-pot de cerâmica, e não mexeu.
- Oi! Oi Garoto!
Desligou o celular e guardou-o. O corte não era nada, e caído zonzo e com a batida na cabeça apenas dormia. Nada grave.
- Mas que... droga!
O peso do garoto surpreendeu-o um pouco, mas não poderia carregá-lo e passou o braço do rapaz pelos ombros. O elevador deixou-os no segundo andar. Gostaria de ter um andar mais alto, mas o custo também aumentaria. Teria subido andando, como sempre, se não houvesse o peso extra.
- Só um louco estaria na rua a essa hora, e se fosse arruaceiro estaria com os amigos.
Levantou um pouco o cabelo para ver o corte, decidiu limpá-lo e arrumar uma cama no chão para ele.
- Meus planos de estudar no último dia de serviço foram por água abaixo… Como se eles se importassem… Acostumado às mordomias de casa. Não me admiraria se for filho único, e a primeira vez que poe bebida na boca.
Sem travesseiros suficientes para dois, menos ainda para usar de apoio. Colocou-o de lado e a cabeça dele sobre dois de seus livros mais grossos. O travesseiro colocou nas costas, forçando-o a permanecer de lado caso vomitasse.
Esfregou a cabeça com força tentando espantar o cansaço.
- Ah! Eu nunca quis ter filho! Na verdade você é novo demais para isso. Kazuo baka²! Está mais para um primo mais novo do que para filho, na verdade… Que seja. Preciso comer algo, e bêbado não tem fome. Vou estudar, o período das provas não está longe.
Kazuo colocou os livros em uma parte e sentou-se na outra do sofá de dois lugares. Sentar-se à mesa estava fora de questão pelo garoto deitado. O que também impedia parte da mobilidade na cozinha e fez uma comida rápida para durar toda a noite.
Abriu o caderno e os livros, e sentou-se para começar a lê-los quando ouviu os golfos, olhou por cima da capa para observar quem pouco se importava com a própria situação.
- Baka!...
Ignorou o vômito, à princípio, esperançoso de conseguir manter a concentração para os estudos já que quando acordasse teria de resolver a responsabilidade que pegara. Mas deixou todo o material quando percebeu a alta febre, não poderia negligenciar uma criança, não poderia ir à farmácia e deixá-lo só, não poderia solicitar ao delivery que já encerrara entregas no dia. E o cheiro que inundou o local não permitia distrações. Abriu ao máximo a única janela que dava para a rua.
Juntou uma panela e ficou ao lado com o pano na testa do menino para evitar que a febre aumentasse, e quem sabe a fizesse ceder. Fez um bule de café, e suas olheiras estariam horríveis ainda antes do meio dia, apostava. A palidez do menino de quando caira desacordado voltava a dar espaço ao rubor de quando estava agitado na calçada do prédio, e preparou uma grande panela de sopa fria de tomate e alho. Podia já contar minutos para o amanhecer.
- Baka badi³…
- Koji.
- Oi! Oi, você está acordado?

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Cache-pot¹
fr. recipiente para colocar vasos com plantas.

Baka²
jp. idiota.

Badi³
jp. passarinho.

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